Balanço financeiro revela números recordes em meio à crise do clube
O documento de 81 páginas da SAF do Botafogo foi publicado na última quinta-feira (30/4), expondo dados impressionantes sobre o desempenho financeiro de 2025. Enquanto o clube alcançou sua maior receita histórica, a situação das dívidas apresenta cenário preocupante para o futuro da agremiação.
Faturamento bate recorde histórico do Glorioso
Com R$ 1,44 bilhão em receitas durante 2025, o Alvinegro estabeleceu novo patamar financeiro. A principal fonte desse montante veio das negociações de jogadores, totalizando R$ 733 milhões em vendas de atletas.
Os demais valores que compuseram a receita incluíram R$ 269 milhões provenientes de premiações, impulsionados especialmente pela participação no Mundial de Clubes. A publicidade contribuiu com R$ 92 milhões, enquanto o programa sócio-torcedor gerou R$ 52 milhões e as vendas de produtos somaram R$ 60 milhões.
Passivo bilionário preocupa administração
Por outro lado, o passivo do clube atingiu a marca de R$ 2 bilhões, representando o maior endividamento da história botafoguense. Desse total, R$ 260 milhões correspondem à receita não auferida, fazendo com que a dívida efetiva seja representada em R$ 1,8 bilhão no balanço oficial.
A situação inclui ainda os R$ 550 milhões relacionados à dívida reduzida do Botafogo Social, dos quais R$ 80 milhões foram quitados em 2025. Vale lembrar que o clube social, presidido por João Paulo Magalhães, detém 10% das ações da SAF.
Textor reconhece fracasso do modelo multiclubes
John Textor, que comandava o projeto durante o período analisado no balanço, admitiu publicamente as falhas do sistema de colaboração entre os clubes da rede Eagle. A questão acabou judicializada, com o Botafogo cobrando mais de R$ 700 milhões do Lyon.
“É importante reconhecer os desafios enfrentados. O modelo de colaboração multiclubes, que nos ajudou a atingir a melhor temporada dos nossos 120 anos de história, e com sucesso similar para nossos clubes parceiros, se provou extremamente frágil, criando desafios significativos à medida que buscamos manter nossa relevância global. Assumimos essa realidade com responsabilidade e clareza”, declarou o empresário.
Auditoria independente emite abstenção de opinião
A empresa BDO, responsável pela auditoria independente das demonstrações contábeis, optou por emitir abstenção de opinião sobre os números apresentados. O motivo principal foi a impossibilidade de obter evidências adequadas e suficientes para validar os dados.
Segundo o relatório, o contexto de incerteza criado pelo pedido de recuperação judicial da SAF, protocolado no fim de abril, comprometeu a análise dos ativos, passivos, patrimônio líquido e fluxo de caixa.
“O clube apresenta capital circulante negativo de R$ 952.032 mil (R$ 549.048 mil em 2024) e passivo a descoberto de R$ 431.917 mil (R$ 141.220 mil em 2024). A continuidade de suas atividades depende das diversas medidas que a administração deve adotar para assegurar a recuperação financeira da Companhia e o alcance do equilíbrio econômico de suas operações”, destacou parte do relatório.
Problemas documentais prejudicam análise
A BDO apontou ainda deficiências na documentação apresentada para suporte das receitas e débitos registrados, além da ausência de confirmações bancárias necessárias. Especificamente sobre as operações envolvendo Lyon e Eagle Bidco, a auditoria concluiu que não há premissas suficientes para calcular a possibilidade de recuperação dos valores em disputa.
Disputa judicial define futuro da gestão
O cenário atual do Botafogo é marcado por intensa batalha pelo controle acionário. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) removeu todos os poderes decisórios da Eagle Bidco, empresa que detinha a maioria das ações, transferindo a administração para Durcesio Mello.
A decisão ocorreu após o Tribunal Arbitral da FGV afastar Textor de suas funções executivas na SAF. Agora, Mello assume como diretor-geral em meio à grave crise financeira que assola o projeto.
Próximos passos dependem de assembleia extraordinária
Entre as medidas urgentes, Durcesio Mello deverá convocar uma Assembleia Geral Extraordinária. Nesta reunião, o Botafogo Social, único acionista com poder de voto, decidirá sobre a continuidade do atual dirigente no cargo.

Paralelamente, há expectativas em torno da aprovação de novos aportes financeiros e possível entrada de investidor adicional. A GDA Luma, empresa que concedeu os primeiros 25 milhões de dólares ao projeto, desponta como principal candidata para ampliar sua participação. Com isso, a permanência de John Textor na SAF torna-se cada vez mais incerta.