Decisão foi tomada através de consulta pública com participação massiva dos torcedores
Após uma votação popular que reuniu mais de 500 mil participantes, o estádio do Palmeiras ganhou uma nova denominação. O que anteriormente era conhecido como Allianz Parque passa a se chamar oficialmente Nubank Parque, conforme anunciou o banco digital na manhã desta segunda-feira, 4.
A opção vencedora conquistou 47,5% dos votos na consulta aberta pelo Nubank no início do mês e finalizada na semana anterior. As alternativas “Nubank Arena” e “Parque Nubank” ficaram em segundo e terceiro lugares, com 29,8% e 28,7% respectivamente.
Contrato milionário define nova fase da arena palmeirense
A aquisição dos direitos de nomenclatura aconteceu em abril, quando a fintech fechou acordo com a WTorre, administradora do estádio. O contrato estabelece pagamentos anuais de R$ 50 milhões à gestora da arena pelos próximos anos.
Embora o Palmeiras não tenha participado diretamente da negociação, o clube possui direito a 15% da receita gerada pela WTorre com o local. Isso representa aproximadamente R$ 7,5 milhões que serão destinados ao time alviverde, conforme previsto no acordo com a administradora.
Mudanças visuais enfrentam obstáculos burocráticos
O banco digital tinha planos ambiciosos para a nova identidade visual, incluindo a instalação de um painel de LED de 246 m² na área externa do estádio, próximo às piscinas do clube. O objetivo era exibir o logotipo da instituição financeira junto ao nome escolhido pelos torcedores.
Contudo, a Prefeitura rejeitou a proposta, alegando tratar-se de “inserção irregular de elemento luminoso na paisagem urbana”, o que contraria as diretrizes da Lei Cidade Limpa. A decisão obriga WTorre e Nubank a seguirem procedimentos burocráticos mais rigorosos para as alterações na fachada.
A expectativa é que toda a nova identidade visual esteja finalizada em julho, sendo que a substituição dos letreiros externos representa o processo mais complexo e demorado.
Estratégia de negócios ampla no setor esportivo
Para o Nubank, a arena representa muito mais que uma simples troca de nome. A empresa enxerga o espaço como uma plataforma estratégica de negócios, com direitos para promover eventos internos, utilizar camarotes e cadeiras VIP durante jogos, shows e outros eventos.
A fintech também terá à disposição um espaço exclusivo para atendimento de clientes e uma entrada denominada “ultravioleta”. Esses investimentos fazem parte de uma estratégia mais ampla da empresa no universo esportivo.
Além da arena palmeirense, o banco já adquiriu os direitos de nomenclatura do estádio do Inter Miami, oficialmente chamado Nu Stadium. Nesta temporada, a empresa também ingressou na Fórmula 1 através do patrocínio à Mercedes.
Especialistas avaliam desafios da mudança de nomenclatura
A transição de Allianz Parque para Nubank Parque representa um desafio considerável, segundo especialistas do setor. Durante 12 anos, o nome da seguradora alemã se consolidou como uma das parcerias mais exitosas em naming rights no país.
“Para o nome pegar, será necessário o maior número de ativações possíveis. Não acredito em patrocínio sem ativações. É importante que seja algo recorrente para acelerar o processo de conexão do público com o novo nome”, avalia Renê Salviano, CEO da Heatmap, empresa especializada em patrocínios e ativações de marketing esportivo.
O especialista ressalta ainda que projetos de naming necessitam de tempo mínimo para se estabelecerem: “Não acredito em projetos de naming com menos de cinco anos, eles necessitam de tempo. No caso de ativos que já possuem namings e vão trocar, aconselho ter uma estratégia forte de ativação para que o público acelere essa troca, isso leva tempo”.
Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports e especialista em marketing esportivo, complementa que o novo proprietário dos direitos precisa desenvolver um “plano estratégico de ativação efetivo” para criar associação entre o público e o novo nome.
“E como o case do Allianz é um case de sucesso, essa não é uma missão fácil. Então é isso, eles têm que investir e ser efetivos. Não é uma missão, não é um negócio que precisa fazer correndo”, conclui Wolff.
