Estudante universitário fica cego do olho direito durante confusão no Maracanã
A violência que marcou o pós-jogo do clássico entre Flamengo x Vasco resultou em consequências devastadoras para um jovem de apenas 18 anos. Arthur Cortines Laxe Ferreira da Conceição, estudante de nutrição da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), perdeu a visão do olho direito após ser atingido por uma bala de borracha disparada por policial militar.
O incidente aconteceu na noite de domingo (3), nas proximidades da ala sul do Maracanã, momentos após o término da partida válida pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro. Durante os tumultos que se seguiram ao empate por 2 a 2, o universitário ficou cercado por policiais em meio ao caos desencadeado pelo roubo de um aparelho celular.
Mãe denuncia ação policial desproporcional
Christine Cortines, mãe da vítima, manifestou indignação com a conduta dos agentes de segurança. “Meu filho perdeu a visão. Ele foi mutilado. É irreversível. E se fosse com o filho de um deles?”, questionou a mãe, destacando a gravidade das lesões sofridas pelo jovem.
Arthur foi socorrido e encaminhado ao Hospital Souza Aguiar, onde permaneceu internado durante a noite de domingo para os primeiros cuidados médicos. Na segunda-feira (4), o estudante foi transferido para a Casa de Saúde São José, onde passou por procedimento de cirurgia plástica.
Série de confrontos marca o pós-clássico
O caso do estudante ocorreu em um contexto de múltiplos episódios de violência registrados antes, durante e após o confronto no estádio. Já nas horas que antecederam o jogo, torcedores de ambas as torcidas protagonizaram enfrentamentos nas proximidades da estação de São Cristóvão, situação que foi controlada pelas forças policiais.
Com o fim da partida, a situação se deteriorou significativamente nas zonas de saída do estádio. Torcedores presentes relataram uma sequência de tumultos, brigas generalizadas e uso excessivo de gás de pimenta por parte dos policiais. A rampa de acesso ao sistema metroviário transformou-se em cenário de confrontos que provocaram correria em várias direções.
Novos episódios de violência foram registrados na Rua São Francisco Xavier, área próxima a uma das entradas da UERJ, onde grupos vinculados aos dois clubes voltaram a se enfrentar. Até mesmo pessoas que não participavam dos conflitos relataram problemas respiratórios causados pelos agentes químicos utilizados pelas forças de segurança.
