Ministério Público conclui que atacante não teve intenção fraudulenta
A investigação criminal que apurava possível estelionato envolvendo o atacante Willian Bigode chegou ao fim com o arquivamento do inquérito pelo Ministério Público de São Paulo. O caso envolvia investimentos milionários realizados pelos ex-palmeirenses Gustavo Scarpa e Mayke, que perderam mais de R$ 10 milhões em aplicações indicadas pelo jogador.
Após três anos de apuração, o MP-SP determinou o encerramento do processo criminal. A decisão baseou-se na conclusão de que Bigode e sua sócia Camila De Biasi, da empresa WLJC Consultoria e Gestão Empresarial, agiram apenas como intermediários, sem conhecimento da fraude perpetrada pela Xland Holding Ltda.
Esquema prometia retornos elevados mensais
O caso teve origem quando Scarpa e Mayke realizaram investimentos substanciais em criptomoedas através de indicação de Bigode. Os valores aplicados foram de R$ 6,3 milhões por Scarpa e R$ 4,3 milhões por Mayke, com promessas de retorno mensal entre 3,5% e 5%.
Segundo as investigações, o atacante e Camila direcionaram os recursos para a Xland Holding Ltda, empresa que oferecia os altos retornos. O Ministério Público identificou características de “esquema de pirâmide”, mas concluiu que os intermediários também foram prejudicados e não tinham ciência do caráter fraudulento da operação.
Investigação paralela prossegue no Acre
Embora o inquérito paulista tenha sido arquivado, uma apuração separada sobre o mesmo esquema continua em andamento na Justiça Federal do Acre. Esta frente investigativa mantém ativo o processo criminal relacionado à fraude.
O MP-SP foi categórico ao afirmar a “inexistirem indicativos de prática de estelionato” por parte de Willian e Camila contra Gustavo, Mayke e Rayanne, esposa do lateral-direito. O órgão garantiu que “absolutamente nada de concreto nos autos se formou a indicar o dolo de estelionato ou de crime correlato na atuação” dos acusados.
Disputas cíveis permanecem em andamento
Apesar do arquivamento criminal, as ações na esfera cível continuam tramitando. Mayke e sua esposa Rayanne já obtiveram decisão favorável, com Bigode sendo condenado à restituição dos valores investidos pelo casal.
O processo movido por Scarpa ainda aguarda julgamento, mas enfrenta atrasos. Em abril, a Justiça advertiu o meia por apresentar “recursos repetitivos” que prejudicavam o andamento processual.
Desembargadora rejeita novo recurso
Na semana passada, a desembargadora Rosângela Telles negou mais um apelo da WLJC Consultoria e Gestão Empresarial. A empresa argumentava que não foram esgotadas as tentativas de localizar sócios da Xland antes da citação por edital.
Ao rejeitar o pedido, a magistrada registrou: “A solidariedade passiva não confere a um dos devedores o direito de tutelar a regularidade formal da citação dos demais. Eventual nulidade da citação editalícia deverá arguir pelos próprios interessados em momento oportuno ou pelo curador especial que venha a ser nomeado para defendê-los”.
O início das ações judiciais ocorreu quando os jogadores tentaram resgatar os investimentos realizados e não conseguiram recuperar os valores aplicados na operação fraudulenta.
