O tropeço do Palmeiras diante do Cerro Porteño por 1 a 0, na Libertadores, provocou uma reação contundente da principal torcida organizada do clube. A Mancha Alviverde publicou um manifesto nas redes sociais cobrando a saída imediata do técnico Abel Ferreira.
Críticas ao desempenho técnico da equipe
O documento, intitulado “Obrigado, Abel. Já deu. Tchau”, questiona o que classifica como uma “ilusão” criada pelos números positivos da equipe, que não refletiria a realidade do futebol apresentado em campo. A organizada aponta problemas estruturais no jogo palmeirense, como falta de padrão tático, excesso de jogadas aéreas improdutivas e ausência de criatividade ofensiva.
Segundo o manifesto, o time apresenta há meses sinais evidentes de deterioração técnica, com insistência em “chutão para frente, cruzamentos sem sentido, jogadores fora de posição” e uma equipe “desorganizada, sem padrão tático, sem criatividade e sem reação”.
Mudança de comportamento do treinador português
A torcida reconhece os títulos conquistados por Abel Ferreira, mas critica duramente a mudança em seu comportamento. O manifesto acusa o treinador de ter se tornado “arrogante, desequilibrado e perdido”, destacando episódios de expulsões, coletivas agressivas e uma postura defensiva constante.
“O Abel de hoje virou um técnico arrogante, desequilibrado e perdido. Expulsões infantis prejudicando o próprio time, coletivas agressivas, respostas debochadas e uma mania insuportável de procurar desculpas para tudo”, diz trecho do documento.
Diretoria também é alvo de críticas
As críticas se estendem à presidente Leila Pereira e ao diretor de futebol Anderson Barros. A organizada cobra maior investimento esportivo e questiona a montagem do elenco, considerado “caro, milionário” mas que “joga um futebol pequeno”.
Sobre Anderson Barros, o manifesto afirma: “Foi ele quem montou esse elenco desequilibrado e sem peças de reposição. Um time sem laterais confiáveis, sem um meia criativo e com um banco fraco para um clube do tamanho do Palmeiras”.
Impacto da derrota no cenário do clube
O resultado contra o Cerro Porteño interrompeu uma invencibilidade de cinco anos do Palmeiras como mandante na Libertadores e adiou a classificação antecipada às oitavas de final. Com oito pontos, a equipe precisará buscar a vaga na última rodada da fase de grupos.
No Campeonato Brasileiro, entretanto, o time mantém a liderança e se prepara para um confronto direto contra o Flamengo, que pode ser decisivo para o futuro da temporada.
Manifesto completo da Mancha Alviverde
O texto na íntegra traz a seguinte mensagem:
“OBRIGADO, ABEL. JÁ DEU. TCHAU.
A lenda da Fata Morgana fala sobre miragens: você olha de longe, parece grandioso, parece real… mas quando chega perto, não existe nada.
Esse é o Palmeiras dos últimos três anos.
Os números mostram liderança, invencibilidade, campanhas ‘históricas’. Mas quando chega a hora da verdade, sobra vice, eliminação e, no máximo, um Paulista para tentar maquiar a realidade.
Abel Ferreira, ninguém está apagando sua história. Seu passado vencedor sempre será lembrado. Mas também ninguém é obrigado a aceitar esse presente vergonhoso dentro de campo.
O Palmeiras não joga bola há muito tempo. A diferença é que antes os resultados escondiam a bagunça.
Quem acompanha de perto já via um time perdido há meses: chutão para frente, cruzamentos sem sentido, jogadores fora de posição, time desorganizado, sem padrão tático, sem criatividade e sem reação.
E tudo isso cai diretamente na conta do treinador.
O Abel de hoje virou um técnico arrogante, desequilibrado e perdido.
Expulsões infantis prejudicando o próprio time, coletivas agressivas, respostas debochadas e uma mania insuportável de procurar desculpas para tudo. Reclama da arbitragem, reclama do calendário, reclama do gramado, reclama da imprensa… mas assume raramente a responsabilidade pelo futebol ridículo que o Palmeiras apresenta.
O time é mal treinado. Sem intensidade, sem jogada, sem alma e sem liderança. Um elenco caro, milionário, e joga um futebol pequeno.
Leila Pereira. O Palmeiras não pode viver só de marketing e entrevistas.
Nos seus dois mandatos, os títulos grandes passaram longe. Em jogos decisivos, faltou pulso, faltou comando e sobrou discurso.
O Palmeiras virou um clube que fala muito e joga pouco.
Anderson Barros. Emagreceu depois do Mounjaro, mas a incompetência continua pesada.
Foi ele quem montou esse elenco desequilibrado e sem peças de reposição. Um time sem laterais confiáveis, sem um meia criativo e com um banco fraco para um clube do tamanho do Palmeiras.
Temporada longa exige planejamento, exige contratação e exige competência. Jogador vai machucar, isso faz parte do futebol. Quem tem dinheiro precisa se preparar para isso.”