Copa do Mundo 2026

Fifa confirma presença do Irã na Copa 2026 nos EUA após polêmica com delegação

Por mvcoltro@gmail.com

Foto: Reprodução

Infantino garante participação iraniana apesar de tensões diplomáticas

Após a ausência da delegação iraniana no 76º Congresso da Fifa em Toronto, o presidente da entidade, Gianni Infantino, fez questão de deixar claro que o Irã estará presente na Copa do Mundo de 2026 e jogará em território norte-americano.

“Deixe-me começar do início: é claro que o Irã participará da Copa do Mundo da Fifa 2026. E é claro que o Irã jogará nos Estados Unidos da América”, declarou Infantino durante a abertura do congresso na quinta-feira (30).

“E a razão para isso é muito simples, temos que nos unir. É minha responsabilidade, nossa responsabilidade”, completou o dirigente máximo do futebol mundial.

Problemas de imigração impedem presença da delegação

A comitiva iraniana, que incluía o presidente da federação local Mehdi Taj, enfrentou obstáculos nas autoridades de imigração canadenses e acabou retornando ao aeroporto de Toronto. O episódio foi classificado por Teerã como “comportamento inaceitável”, mesmo com a delegação portando vistos válidos.

Fontes próximas ao caso revelaram à Reuters que dois integrantes da delegação poderiam ter participado do encontro, mas decidiram não comparecer após um dos membros ter a entrada barrada no Canadá.

A questão central gira em torno do fato de Taj ser ex-integrante da IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica do Irã), organização considerada terrorista pelo governo canadense.

Canadá justifica medidas restritivas

O primeiro-ministro canadense Mark Carney defendeu a posição de seu país durante o episódio: “Posso fornecer as seguintes garantias e fatos. Uma delas é que, como vocês sabem, a Guarda Revolucionária Iraniana e todos os seus membros estão listados como uma organização terrorista há vários anos”.

“Os integrantes estão proibidos de vir. Temos uma série de triagens e tomamos medidas. E nenhum membro entrou no país. As medidas foram tomadas de forma apropriada”, acrescentou Carney.

Desafios logísticos para Copa transfronteiriça

A ausência iraniana no congresso evidenciou os complexos desafios que cercam a Copa do Mundo de 2026, que será realizada em três países: Estados Unidos, Canadá e México. O torneio expandido para 48 seleções exigirá constante movimentação de equipes, dirigentes e comitivas entre diferentes jurisdições.

Esta característica transfronteiriça aumenta significativamente as possibilidades de complicações relacionadas a restrições de visto e tensões diplomáticas, especialmente para países com relações delicadas com as nações organizadoras.

Fifa rejeita pedidos alternativos do Irã

Apesar das dificuldades, a Fifa mantém posição firme quanto à programação do torneio. O Irã havia solicitado locais alternativos para seus jogos, evitando assim território norte-americano, mas a entidade rejeitou categoricamente o pedido.

A organização insiste que toda a programação estabelecida será rigorosamente mantida, sem exceções ou alterações motivadas por questões políticas ou diplomáticas.

Estados Unidos define posição sobre jogadores iranianos

O secretário de Estado americano Marco Rubio esclareceu na semana passada a posição de Washington sobre o assunto. Segundo ele, os EUA não têm objeções à participação dos jogadores iranianos na Copa do Mundo.

Contudo, Rubio foi enfático ao estabelecer uma restrição: os atletas não poderão ser acompanhados por pessoas com vínculos à IRGC, mantendo assim a linha de segurança nacional americana.

Manifestações marcam congresso da Fifa

Do lado externo do centro de convenções em Toronto, aproximadamente 30 manifestantes se reuniram portando bandeiras iranianas e cartazes. O grupo expressou publicamente seu desejo por mudanças no regime político do Irã.

Fifa confirma presença do Irã na Copa 2026 nos EUA após polêmica com delegação
Presidente da Fifa Gianni Infantino em evento do 76º Congresso da entidade 29 de abril de 2026 REUTERS/Jennifer Gauthier

Os protestos incluíram cânticos de apoio à figura da oposição iraniana Reza Pahlavi, demonstrando como questões políticas internas do país permeiam até mesmo eventos esportivos internacionais.